O Sustainer

Para chegarmos ao primeiro modulo do sintetizador é indispensável uma recordação sobre aquilo que seja, exatamente, um sintetizador de som e o que dele se pode esperar. Vejamos, pois.

Notas Preliminares

Os sintetizadores de som originaram-se em pesquisas(1) dirigidas a facilitar o trabalho de composição ou síntese de som dos instrumentos musicais existentes e de sons totalmente novos, realizado em laboratórios de empresas ligadas ao som, “buscadores” e músicos individuais.

Aquelas empresas e estes pobres “cientistas loucos” eram obrigados a cortar e emendar pedacinhos de fita de áudio gravada para comporem uma síntese sonora qualquer. Outros usavam desenhos e material cinematográfico para obter o mesmo resultado. É evidente o trabalho necessário: quando os jovens pesquisadores terminavam uma nova música, estava na hora de cuidar da aposentadoria e, se de cunho popular, a música já saia clássica.

A grande ideia foi controlar os diversos aparelhos geradores de som ao invés de, usando “botões”, por meio de tensões elétricas muito mais rápidas e múltiplas que as mãos.

Surgiram os VCA, VCF, VCO e outros VC qualquer coisa. VC quer dizer “Voltage Controlled” (controlado por tensão); daí temos:

  • VCA (Voltage Controlled Amplifier): Uma espécie de pedal de volume eletrônico
  • VCF (Voltage Controlled Filter): algo bem superior, mas que podemos imaginar como um Wah-Wah eletrônico, com muito mais possibilidades do que simplesmente ficar repetindo Wah-Wah a rítmo constante, como um tremolo ou vibrato
  • VCO (Voltage Controlled Oscillator):  Um gerador de áudio de alta precisão, controlado por tensão.

Começou a interessar, não?!

As grandes diferenças entre o órgão elétrico e o sintetizador são: o órgão produz as notas musicais a partir de geradores de frequências fixas, com forma de onda mais ou menos pura (senoidal); existem vários geradores em qualquer órgão eletrônico, cada qual gerando uma das notas musicais e seus semitons, num total de doze; as notas mais agudas (altas) são diretamente geradas, enquanto que as mais graves (baixas) são divisões por dois das frequências das doze notas originais.

Pode-se imaginar a complexidade de um sistema de duplo teclado e com “mil” recursos como os Hammond, Yamaha ou Wurlitzer profissionais. Os diversos timbres e ruídos são acrescentados, misturados ou filtrados usando-se equipamento extra lá no interior do órgão. Desta forma, sons como o “flute”, etc., são formados às custas, cada qual, de todo um sistema separado e fixo, comutado por chaves e sem muita possibilidade de variação por parte do músico, a não ser nos grandes órgãos.

O maior “trunfo” do órgão é ser polifônico, isto é, podem ser tocadas várias notas de uma só vez (acordes), enquanto que apenas recentemente os sintetizadores começaram a ser comercializados desta forma e bem caros, sempre muito mais que seus irmãos monódicos (que tocam apenas uma nota por vez).

No sintetizador, pelo contrário, existe apenas um ou um pequeno número de geradores (osciladores), que são os VCO; estes geram formas de onda bastante ricas em harmônicos, principalmente a quadrada (pulse), a triangular e a dente de serra.

Enquanto no órgão as frequências são fixas, no sintetizador cada VCO gera qualquer frequência de áudio com precisão. Conforme se ligue a ele uma tensão maior ou menor, se obtém qualquer nota mais alta ou mais baixa (mais aguda ou mais grave). Simplesmente fazendo um teclado que, a partir de divisores de tensão e contatos comandados pelas teclas, ligasse a um só VCO tensões matematicamente relacionadas com as diferentes notas musicais, teríamos, por um custo muitas vezes inferior ao do órgão, a escala musical inteira e já com “timbre” enriquecido pelas próprias formas de onda complexas dos geradores. Desvantagem: apenas é gerada uma nota por vez. Se você “fizer um acorde” num sintetizador monódico (Mini-Moog, etc.), sairá só a nota mais alta (aguda).

Outra boa ideia fora – lembrando-se que, qualquer forma de onda complexa é constituída por sobreposição de formas senoidais simples (Basic Oscillators – Irving M. Gottlieg – Rider – USA) e pelo Teorema de Fourrier – filtrar-se o sinal complexo “ardido” do VCO para se obterem sons mais suaves, imitando instrumentos existentes ou completamente novos. O encarregado desta função foi o VCF (filter).

Usando sistemas complexos e auxiliados até por computadores, os pesquisadores originais (RCA, etc.) conseguem obter sínteses, impossíveis de distinguir, dos instrumentos musicais existentes. O que pegou mesmo foi o “som novo”, sendo hoje super conhecido e identificável o som do “Moog” – instrumento fabricado em série, nos Estados Unidos, pela fábrica do mesmo nome e “bolado” por R. A. Moog.

A ideia do sintetizador, portanto, é controlar-se, independentemente e sempre por meio de tensão, cada parâmetro que defina o som, sua intensidade, seu teor harmônico, seu envelope harmônico e “intensificado” (…), etc., usando-se o menor número possível de unidades geradoras e controladoras.

Um sintetizador possui, por conseguinte, dois setores principais:

  • Gerador – onde estão os VCO e os teclados
  • Controlador – onde são modificados os sinais gerados

Pode ser acrescentado, à parte, um misturador de controle, que seleciona os diversos sinais a serem ouvidos.

O sintetizador é um aparelho muito mais simples e barato que o órgão eletrônico e muito nos admira não haver ainda fabricação nacional, em grande escala e a preço razoável, principalmente devido ao incentivo dado pelas dificuldades impostas à importação, Se for por desconhecimento dos circuitos ideais e confiáveis, isto não será mais desculpa após estes artigos, pois haverá material suficiente para qualquer um desenvolver a produção de sintetizadores de teclado, simples ou complexos e até uma novidade: o sintetizador para guitarras, que não possui teclado.

Sintetizador para guitarras, outros instrumentos musicais e vozes

Recordando o exposto anteriormente vemos que um dos “drawbacks” do sintetizador comum é ser monódico.

Desde muito antes da existência do mercado de sintetizadores comerciais, como o Mini-Moog, o Moog Satelite ou os ARP, preocupamo-nos com a possibilidade de acoplar, a um sistema sintetizador, uma guitarra elétrica, para formar uma “guitarra-sintetizador”. Isto foi no tempo em que os animais falavam, quer dizer, no tempo em que construíamos guitarras especiais, artesanalmente e muito pouco entendia de circuitos elétricos, pelo menos um pouco menos que o nada que entendo hoje!

De posse de circuitos comerciais de sintetizadores norte-americanos e com alguma dose de paciência, conseguimos, via difíceis raciocínios tipo 2 + 2 = 4, um circuito bastante complicado e pouco racional que “percebia” cada palhetada, mesmo a mais rápida, de uma guitarra e com isso disparava os CG ou Geradores do Contorno que, por sua vez, controlariam, como nos sintetizadores convencionais, os VCF, VCO, etc., permitindo que tanto o som normal, puro e polifônico da guitarra, quanto seus tons sustentados com ou sem distorção e outros ainda, onde a guitarra intervém como mera fonte de informação e os sinais são totalmente independentes, sejam emitidos com as características normais dos sintetizadores monódicos de teclado.

Não apenas a guitarra; também vozes, outro sintetizador, órgão ou qualquer sinal eletrônico serão admitidos e sintetizados neste aparelho, eliminando o uso obrigatório do teclado. É claro que serve também para isso que você está pensando: contrabaixo, bateria, com microfones ou captadores, etc., todos serão muito bem aceitos.

Vítima do que sempre acontece quando “inventamos” algo, tivemos notícia de que coisa semelhante foi tentada e realizada no exterior. De qualquer maneira, os aparelhos comerciais agora existentes são pequenos pedais que, ligados à guitarra, produzem sons parecidos com alguns determinados sons do sintetizador, como o “Sintetizador” da Ludwig ou o “Funk Machine”. Nosso sintetizador supera todos estes pela possibilidade de controle total do sinal com mais recursos que os próprios sintetizadores: é polifônico, podendo, inclusive, completar os sintetizadores existentes. Outra vantagem é o sistema modular: você usa as partes que desejar, chega e gasta onde e quanto quiser.

Não desdenhe! Também no Brasil se inventam coisas! Santos Dumont está voando por aí para confirmar! Pela simples análise do circuito de entrada e detecção de transientes do sintetizador você verá que nada tão “estrambólico” poderia vir de circuitos comerciais estrangeiros. Mas ele dá conta do recado, é usável em shows e gravações e é o que interessa no momento. Futuramente procuraremos racionalizá-lo, usando integrados, eliminando o transformador, simplificando, etc.

Como temos pressa de ir para a frente aqui no Brasil, não deixaremos de publicar o que já temos: pode rir o quanto quiser do circuito original. Outros circuitos muitos deles, serão adaptações ao material existente, dos melhores circuitos de modificadores estrangeiros e funcionam tão bem ou melhor do que eles. Se assim não fosse, Os Mutantes simplesmente usariam os importados e não estes, pois dinheiro não deve ser empecilho ao trabalho sério, nem estes modificadores são a parte pesada no orçamento dos grandes grupos musicais.

Um exemplo da qualidade será nosso primeiro circuito – o Sustainer – que você poderá ir usando como pedal, com baterias, se quiser esperar pela publicação da Fonte de Alimentação Estabilizada – ou até acoplado a mesas de som (existentes ou por fazer) como limitador, sem distorção, de sinais, nas entradas ou saídas.

O Sustainer

O Sérgio, de Os Mutantes, não usava sustainers existentes no mercado por realmente não prestarem. Distorciam, prolongavam pouco, etc. Usava um complicado compressor de nossa “invenção”.

Um dia, viajando pelos USA, encontrou “o sustainer”. Era melhor, mais simples, mais barato que nossos compressores e perfeito para suas necessidades. Usando um circuito operacional com o nome apagado pelo fabricante, o sustainer deixou-nos malucos! Montamos um semelhante, mas todos os “op amp” que nele colocávamos oscilava, ia ao máximo ganho e não era controlado pelo sinal retificado. Durante uma semana quebramos a cabeça, atrás de especificações, até que o José, da Filcres, com sua memória de computador, lembrou-nos de um integrado que era controlável em ganho, pelo pino 5, exatamente como o original. Tinha que servir!

Corremos para a Serra, soldamos e ligamos! Funcionou! Melhor ainda que o original americano, com muito mais dB de compressão possível e sem o achatamento que o circuito original produzia, às vezes, em algumas situações que gerassem oscilação. Era o CA 3080 (the transconductance amplifier). Não o esqueça mais! Serve para “mil” novas aplicações, desde compressores, expansores até “ring-modulators” como o que “bolamos” integralmente e usando integrados.

Funcionando o sustainer, obtivemos os resultados constantes na Tabela 1 (medições a 100Hz, com Gerador Heathkit modelo IG-72, com saída a “600Ω”).

A distorção, para o importado ou para o nosso, aumenta à medida que aumenta a frequência. O valor de 200mV RMS de máxima entrada para a distorção aceitável a 100Hz, está impresso abaixo da curva de resposta a frequências. Os valores 150, 80 e 60 indicam, respectivamente, o mesmo nível de distorção nas frequências correspondentes, para o nosso sustainer.

CARACTERÍSTICA DO SUSTAINER MODELO IMPORTADO MODELO PROJETO
Máxima tensão de entrada
120mV RMS (após o que começa a ceifar o "loop" positivo)
300mV RMS (após o que ceifa simetricamente e com forma arredondada)
Máxima tensão de entrada para distorção aceitável com "som puro" para guitarras
60mV RMS
200mV RMS
Compressão máxima, com início de distorção (achatamento)
32dB
46dB
Compressão máxima, com sinal aceitável como "som puro" para guitarras
26dB
40dB
Tensão de entrada suficiente para haver compressão
3mV RMS
2mV RMS
Tensão máxima de saída no pico inicial até começar a compressão (com distorção assimétrica)
1600mV RMS
Idem (sem pré) com distorção simétrica
Tensão máxima de saída, durante a compressão
200mV RMS, com distorção aceitável para "som puro" em guitarras
230mV RMS (sem pré)
Pré-Amplificador
Não Possui
Possui
Headroom
Não possui
+18dB sobre os 600mV RMS de saída.
Tensão de saída correspondente aos 230mV RMS de saída do Sustainer, sobrecarga de 10kΩ = 600mV RMS

Tabela 1 – Especificações e Testes Comparativos dos Sustainers

A resposta a frequência, para 200mV RMS de entrada, portanto com compressão e saída máximas, é a que se pode observar na curva da figura 1.

Um microfone de alta impedância (47 kΩ) é possível ligar-se, com máxima ou nenhuma compressão, diretamente à entrada do sustainer, mas haverá distorção perceptível ao cantar-se “AAAAH” com certa força a cerca de 1,5 cm do microfone (o que produz ± 300mV RMS na saída do microfone). Gritando-se no microfone a vogal “o”, a cerca de 15 cm, obtém-se até 3V na saída, o que trará distorção excessiva.

Para uso em gravações à distância, o sustainer é perfeitamente recomendável, enquanto não se atingirem níveis de 300mV RMS à saída do microfone. Com microfones de baixa impedância, (50 a 200Ω) onde a saída máxima é umas 5 vezes mais fraca que nos de alta impedância, pode-se usar mais folgadamente o sustainer como limitador. De qualquer maneira, haverá distorção a níveis altos de SPL.

Para fins profissionais, é recomendável usar-se pré com entrada diferencial ou balanceada e atenuar-se, após este, o sinal para que não atinja a 300mV RMS, o que se ajustará por meio de LED de “peaking” (estes circuitos serão publicados).

O “som” do sustainer, para efeitos práticos, usando-se guitarra elétrica, cujos picos raramente ultrapassam os 210mV RMS, é perfeitamente puro; não há qualquer “embrulhamento” perceptível nos acordes (intermodulação). O pico inicial da palhetada, quando em notas destacadas, produz transiente muito curto e quando aparece, traz “gosto” ao som, ao contrário de prejudicá-lo. Em sequências contínuas, sem “destacados”, não se ouve o transiente – é possível provocá-lo ou não ao tocar-se a guitarra, com facilidade de controle.

Muita atenção foi dada a este transiente ao acrescentar-se o pré-amplificador. O resultado final, com ou sem pré, é um dispositivo muito requintado e exaustivamente provado com a guitarra nas mãos, para permitir o uso ideal das qualidades do prolongamento e “touché”.

Montagem do Sustainer

Você deve decidir, com muito cuidado, que tipo de aparelho irá montar. Se pretende ir confeccionando os módulos que publicaremos, chegando ao Sintetizador para Instrumentos Musicais, deverá montar o sustainer, completo, com pré-amplificador. Caso deseje apenas um excelente pedal de sustainer, não monte o pré-amplificador do sustainer.

A placa de fiação impressa, ilustrada em tamanho natural na figura 2, serve para os dois casos: sustainer com e sem pré. Na figura 3, que mostra a disposição dos componentes, você verá uma linha tracejada: esta indica a separação do sustainer de seu pré-amplificador que, como dissemos, é opcional. Se desejar apenas o sustainer sem pré, monte só a parte acima da linha. Se desejar o sustainer com o pré, monte todo o circuito.

A saída, no circuito, do sustainer sem pré, é o ponto A (figuras 2 e 4). Você deverá ligar o potenciômetro de volume (R27) ao ponto A e à terra, indo o curso para a chave “by-pass” e daí à saída.

Se fizer o pré, não usará o ponto A nem R27. Deverá interligar os pontos Z e Z’ na placa de fiação impressa. A saída sustainer com pré será, então, pelo ponto M, ligando-se aí R28, que será o potenciômetro de volume, cursor à chave “by-pass” e desta à saída. Se você montar o sustainer com pré deverá alimentar este pré separadamente com 24Vcc. A fonte de alimentação será publicada num próximo artigo, pois fará parte do sintetizador e terá as várias tensões necessárias estabilizadas. Provisoriamente, poderá montar os componentes do pré, sem ligar o ponto Z ao Z’ nem os 24V e utilizar a saída sem pré (ponto A), ligando-o ao potenciômetro R28 ao mesmo (o sustainer aguenta). Ao montar a fonte ligue, então, como recomendado, os pontos Z, Z’, R28 ao ponto M e o +24V ao pré, não usando mais o ponto A. Pode, também, montar todo o circuito completo com o pré e usar bateria separada de 24V em lugar da fonte, até que monte a fonte. Não recomendamos montar uma fonte de 24V e reduzir para 10V, alimentando o pré e o sustainer: poderá ter problemas de “ronco”.

Por falar em “ronco”, com baterias ou com a fonte, que será publicada, o sustainer não “ronca” perceptivelmente, se não houver problemas com sua guitarra ou cabo blindado.

Qualquer guitarra pode ser usada, mesmo a Fender, que não possui blindagem interna. É preferível, para maior aproveitamento, que você dê atenção à blindagem no interior da guitarra, aos captadores e ao cabo blindado. O ideal é que os captadores sejam blindados (tipo Gibson) e que os circuitos internos da guitarra não sejam feitos com fios blindados, mas que sejam totalmente envolvidos por blindagem metálica (como alguns modelos Framus ou como as guitarras que confeccionamos para Sérgio, com revestimento interno de finas folhas de ouro).

Isto evitará perda de agudos por capacitância nos cabos blindados e problemas com oscilação nos aparelhos que vêm após a guitarra, (amps, etc.), além de eliminar o “ronco”. O cabo blindado de saída da guitarra, quanto mais curto, melhor, sendo boa ideia, para quem apenas usar o sustainer, colocá-lo no interior da guitarra, empregando pilhas, tendo todas as vantagens referidas, além da possibilidade de usar cabos mais longos. Ideias como captadores balanceados, etc., todas são viáveis e ficam a seu gosto. Se dispuser, no entanto, de um “pau com cordas” e captadores, ainda assim não se preocupe: o sustainer fará muito por ele!

Importante

Evite a ligação de “terra” da saída aos “terras” da entrada (loops de terra). Não deverá ligar a blindagem dos cabos de saída aos jacks de saída e estes à chapa metálica do painel. Esta deverá estar apenas conectada à “terra” pelo jack de entrada (figura 5). Isto evitará oscilações e ruídos aleatórios. O uso de jacks com encapsulamento plástico é ideal, mas atualmente estão em falta no mercado (?!?).

É muito recomendável, ao ir anexando novos módulos ao sustainer, desligar os cabos de saída dos jacks, conectando-os diretamente (soldados por dentro) ao próximo módulo. Isto vale para todos os módulos do sintetizador, sendo a condição ideal que o painel que virá a ser formado e as caixas protetoras fiquem ligados à “terra” apenas pelo jack de entrada do sintetizador. Use solda da melhor qualidade (60/40) e jamais empregue pasta de soldar.

Se não souber ou não quiser fazer a placa de fiação impressa, pode encomendá-la pronta; estaremos disponibilizando em breve, anúncios de possíveis fornecedores. Se desejar projetar sua própria placa, tenha cuidado com a posição dos componentes pois o sustainer é aparelho de alta sensibilidade e sujeito, em caso de projeto inadequado, a oscilações. Com cuidado, é possível, colocando os transistores por baixo e a maior parte dos componentes em pé, reduzir as dimensões do circuito para mais ou menos metade das publicadas neste artigo

Relação de Componentes

Sustainer sem Pré-Amplificador

  • CI1 – CA 3080
  • Q1 – BC 208
  • Q2 – BC 208
  • Q3 – BC 208
  • Q4 – BC 208
  • Q5 – BC 208
  • D1 – FDH 440
  • D2 – FDH 440
  • R1 – 10kΩ @ 1/4W
  • R2 – 10kΩ @ 1/4W
  • R3 – 470kΩ @ 1/4W
  • R4 – 2,2kΩ – trimpot linear
  • R5 – 1MΩ @ 1/4W
  • R6 – 15KΩ @ 1/4W
  • R7 – 27kΩ @ 1/4W
  • R8 – 1MΩ @ 1/4W
  • R9 – 1MΩ @ 1/4W
  • R10 – 56kΩ @ 1/4W
  • R11 – 150kΩ @ 1/4W
  • R12 – 27kΩ @ 1/4W
  • R13 – 4,7kΩ @ 1/4W
  • R14 – 4,7kΩ @ 1/4W
  • R15 – 1 MΩ @ 1/4W
  • R16 – 150kΩ @ 1/4W
  • R17 – 10kΩ @ 1/4W
  • R26 – 1MΩ – potenciômetro linear (*)
  • R27 – 47kΩ – potenciômetro linear (*)
  • C1 – 0,01µF – Schiko
  • C2 – 0,47µF – Schiko
  • C3 – 0,471µF – Schiko
  • C4 – 0,01µF – Schiko
  • C5 – 0,001µF – Disco
  • C6 – 0,47µF – Schiko
  • C7 – 0,01µF – Schiko
  • C8 – 0,01µF – Schiko
  • C9 – 0,05µF – Schiko
  • C10 – 10µF @ 25V
  • By-Pass – interruptor 2 polos x 2 posições

Pré-Amplificador do Sustainer

  • Q6 – EM 503
  • Q7 – BC 208
  • R18 – 2,2kΩ @ 1/4W
  • R19 – 470kΩ @ 1/4 W
  • R21 – 180kΩ @ 1/4 W
  • R22 – 4,7kΩ @ 1/4 W
  • R23 – 68kΩ @ 1/4 W
  • R24 – 10kΩ @ 1/4 W
  • R25 – 6,8kΩ @ 1/4 w
  • R28 – 10kΩ – potenciômetro linear (*)
  • C11 – 4,7µF @ 25V
  • C12 – 100pF
  • C13 – 4,7µF @ 25V
  • C14 – 25 µF @ 25 V

(*) Sem interruptor

Ajuste sem Aparelhos

Não é essencial o uso de aparelhagem de prova para montar o sustainer com excelentes resultados. Não possuindo esses aparelhos (osciloscópio, gerador de áudio, etc.), ao concluir a montagem, ligue uma guitarra ao jack de entrada e um amplificador ao de saída. Coloque o trimpot R4 à metade do curso e procure “de ouvido”, a “posição de melhor som”, menos distorção, mais prolongamento e menos ruído (coloque sempre o potenciômetro de sustain na posição “máximo” durante as provas).

Ajuste com Aparelhos

Ligue um osciloscópio à saída do sustainer e um gerador de áudio à entrada. Deixe o R4 na posição média e ajuste o gerador para 100Hz, em escala que dê facilidade de controle de sinais muitos fracos (de 1 a 5 mV).

Coloque os potenciômetros de sustain e volume no máximo e vá aumentando a tensão de entrada de 0 a 10 mV. Verá, se tudo estiver bem que, ao redor de 2 a 3mV, a saída do sustainer estará atingindo o máximo, continuando nesse nível por mais tensão que você coloque na entrada (limitação ou compressão infinita).

Voltando a níveis menores que 2mV RMS, onde não há compressão e a saída aumenta na mesma proporção que a entrada, verá que existe uma posição média do trimpot onde o sinal se mantém perfeito e à volta da qual o sinal se “achata” de um lado ou de outro. A posição onde não há achatamento é a ideal: o sustainer está pronto para ser usado.

Como funciona

O sinal (figura 4) entra pela base de Q1, saindo pelo emissor; entra no CI1 via pino 2, sai pelo pino 6 e entra na base de Q2, indo, então, à saída pelo pino 6 e entra na base de Q2, indo, então, à saída do sustainer (sem pré) pelo emissor deste transistor. Neste transistor de saída existem dois capacitares C7 e C8, um no coletor e outro no emissor, que levam o sinal a um retificador de onda completa, formando por Q3, Q4, Q5, D1 e D2 indo do emissor de Q3, via R26 (sustain), ao pino 5 do integrado.

O pino 5 recebe mais diferença na tensão quanto maior for o sinal de entrada. Neste integrado, quanto mais tensão houver no pino 5, menor o ganho. Daí resulta a limitação e o “sustain” produzidos. Quanto mais fraco for o sinal da guitarra, mais o CI1 o amplifica e vice-versa, resultando um nível constante de saída enquanto houver sinal maior que 3mV na entrada. Com um pouco de realimentação acústica, via amplificador-falantes-cordas da guitarra, obtém-se som indefinidamente contínuo.

Observação

Para uso profissional existe a possibilidade de se substituírem as 6 pilhas por uma única bateria de 9V e seu rabicho. Isto diminui os possíveis maus contatos devido à quantidade de pilhas de 1,5V. A bateria, porém, custará mais caro!

Apenas a título informativo e para que você possa fazer uma comparação, um sustainer importado, quase equivalente e de segunda mão (pois que a importação não é mais possível), custa ao redor de Cr$ 2000,00, sem pré e se conseguir alguém que o queira vender. Existem sustainers nacionais por cerca de Cr$ 700,00, isto em agosto de 1976. O custo do nosso anda na casa dos Cr$ 350,00.

(Atualizar os custos acima, aos valores de hoje, 2020).

Nota do Autor

Tivemos conhecimento de que, entre o período da entrega do texto deste artigo à Redação da Revista e sua publicação, de novos aperfeiçoamentos em sistemas modificadores de som para guitarras, que se assemelham bastante ao sintetizador sem teclados que estamos publicando.

Tais novos sistemas são de autoria das empresas “Colorsound” e “Top Gear”. Como nosso sintetizador sem teclados está pronto e em funcionamento já há mais de um ano, como a ideia de sua realização nos vem há mais de dez anos atrás, como conhecemos, atualmente, apenas o diagrama em blocos dos aparelhos “Colorsound” e “Top Gear”, mas não seus circuitos elétricos e como, finalmente, estes aparelhos são construídos para guitarras, o que não se dá com o nosso que é para uso geral, mantemos a afirmação sobre a originalidade de nosso sintetizador.

Autor do artigo original: Cláudio César Dias Baptista

(1) Curso “Esse” de Alta Fidelidade: Fundamentos Psico-Acústicos – Engenheiros Paulo e Hélio Taques Bittencourt – Música de La Era Técnica – Fred Prieberg – EUDEBA

Eng. Roberto Teixeira
Author: Eng. Roberto Teixeira

Engenheiro de produção, técnico em automação industrial, instrutor técnico, auditor de QHSE, web designer, pesquisador, tradutor técnico, escritor e autor de blogs.

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