Áudio e Sons Diferentes nos Conjuntos Musicais

Haverá, inicialmente, um esboço da historia dos sistemas de som utilizados pelos conjuntos musicais profissionais, de sua evolução e do motivo que justifica a complexa aparelhagem atualmente usada. Será mostrada a especifica utilização de um determinado aparelho que compõe tais sistemas.

Em seguida, serão fornecidos os detalhes completes para a montagem do aparelho em si, utilizando material encontrável com facilidade – pelo menos aqui na Capital Bandeirante – de forma a ir totalizando, nos diversos artigos, o sistema inicialmente descrito. Isso, evidentemente, envolverá projetos vários, tais como: caixas acústicas, amplificadores de potencia, mesas de som, microfones, sintetizadores, para guitarras e módulos modificadores, pedaleiras, “phasers”, “flangers”, etc.

Posteriormente os processos serão usados para os sistemas de som para estúdios de gravação profissionais, amadores e assim por diante, dando uma visão do que o leitor dispensará para obter, fazendo ele próprio um aparelho equivalente a outro muito mais dispendioso comprado já pronto.

Introdução

Ao lado da descrição teórica e prática dos equipamentos feitos por nós, gratuitamente, para OS MUTANTES, nos quais empregamos componentes discretos e operacionais, alguns conjuntos e laboratórios de som, equipamentos esses de grande confiabilidade, serão publicados artigos expondo circuitos já em pesquisa e que gradativamente irão substituir os discretos por equivalentes operacionais (OpAmps). Tal objetivo é atualizar e permitir evolução, sem desprezar o grande material já a nossa disposição e permitir, também, um aprendizado prático.

Esta forma de apresentação permitirá a você escolher entre a confecção desde uma simples parte do sistema descrito que “encaixe” naquele que já possua, até a totalidade do sistema proposto, suficiente para um trabalho profissional de amplitude; dará a quem não a tenha, a ideia geral dos “por quês” e uma boa base para decisão a respeito de equipamento, coisa que acreditamos ser impossível, quando baseada nas publicações nacionais existentes e no ensino técnico de eletrônica.

Finalmente, solicitamos aos leitores aguardarem o desenvolver da matéria que visa a atender uma maioria e não este ou aquele caso particular, esta ou aquela circunstância, este ou aquele problema especifico. As modificações, alterações e adaptações deverão ser experimentadas pelos próprios interessados, pois que tudo foi antecipadamente programado, montado, exaustivamente provado e, uma vez seguidas as instruções, usados os componentes indicados, tudo funcionará dentro das especificações de cada aparelho em si ou dentro do conjunto que ele formará ou poderá formar.

A Evolução do Sistema de Som dos Conjuntos Musicais

Escolhendo a época dos sucessos em LP do conjunto musical norte americano “The Ventures”, ou dos brasileiros “The Jet Blacks”, formemos um quadro da situação da maioria dos conjuntos musicais eletrificados (início da década de 60).

Não havia (ou quase não havia) a execução vocal. Os solos musicais, assim como todo o acompanhamento, eram quase sempre realizados pela guitarra elétrica. Fora a bateria tais solos e acompanhamentos eram produzidos por instrumentos musicais amplificados por um tipo basicamente idêntico de amplificador: o “Fender Showman” é o exemplo clássico, de onde se originaram os Tremendões e outros nacionais.

A característica essencial desses amplificadores é seu curto alcance sonoro: é o que denominamos “short throw”. Isto quer dizer que mantém a mesma característica de resposta de frequências e timbre até uma curta distância e que, à medida que nos afastamos deles, para os lados e para frente (distância entre a frente do conjunto musical e o fundo da sala), o controle sobre a dispersão sonora feita por suas caixas acústicas é deficiente, modificando-se a resposta, a clareza, a inteligibilidade.

O ângulo coberto pelo som desses amplificadores é bem grande, principalmente nas baixas freqüências e é útil até distâncias ao redor de 9 metros do palco à platéia, após o que as reflexões nas paredes, no chão e a diretividade diferente nas diversas freqüências tornam a qualidade sonora incontrolável pelo músico (figura 1).

Como as apresentações na época eram, geralmente, para auditórios pequenos, clubes, bailes, etc., tudo ia às mil maravilhas. Surgiram os Beatles. Com eles e outros, o som vocal foi extremamente valorizado; daí a necessidade de aparelhagem para a amplificação das vozes, também sentida nos grupos musicais brasileiros que, de certa forma, refletem as variações dos estrangeiros.

Por causa do fenômeno da microfonia ou realimentação acústica, as caixas para vozes deveriam ser, obrigatoriamente, colocadas entre o público e os músicos, voltadas para o público e longe dos microfones. Hoje em dia começam a ser tentadas, em maior escala, técnicas de anulação da realimentação, com o emprego de dois microfones distanciados, direcionais e fora de fase.

A posição ideal, para o sistema monofônico, seria a colocação da(s) caixa(s) de vozes no teto e no centro, mas a impossibilidade disso ser feito com sistemas portáteis obrigou o uso de um par de colunas sonoras, uma em cada lado do palco, como se fosse um sistema estereofônico (figura 2).

 

Devido a serem, as colunas sonoras, por natureza, um sistema de grande alcance – “long throw” – principalmente quando utilizadas cornetas acústicas e devido ao efeito Haas (para maiores detalhes a este respeito, consulte o livro “Estereofonia Prática” – Saul Sorin – Ed. Radiorama 8, que pode ser encontrado nas livrarias especializadas em livros técnicos), que se resume em existir uma área fora da qual a inteligibilidade do som é deteriorada quando o mesmo provém de duas fontes sonoras, a região da platéia atingida com clareza pelo som das vozes amplificadas não o era pelo som dos amplificadores dos instrumentos musicais e vice-versa.

O som dos amplificadores de instrumentos chegava já misturado, com sua própria reflexão nas paredes, à região onde se ouviam bem as vozes e o som das vozes chegava excessivamente retardado, vindo da caixa mais distante, a quem quer que não esteja na linha central entre as duas “caixas de vozes”, causando perda de inteligibilidade destas na zona onde se ouviam bem os instrumentos.

A região coberta pelo sistema de “reamplificação de vozes” abarcava um público bastante mais numeroso e mais distante do palco, permitindo, praticamente, que as distâncias e a platéia atingível se tornassem ilimitado, enquanto que a falta de resistência dos músicos a altos níveis sonoros, aliada ao problema do “vazamento” via microfones e a necessidade de que um músico ouvisse os demais, não permitia que todo o som viesse por detrás destes.

Surgiu a idéia, logo posta em prática, de se reamplificar, também, os instrumentos musicais pelas “caixas de vozes”, usando-se caixas e amplificadores mais potentes e sofisticados. O resultado satisfez ao público, que passou a ouvir melhor os instrumentos via reamplificação – desde que os amplificadores dos instrumentos individuais no palco fossem mantidos a níveis mais baixos, a ponto de não interferirem com seu próprio som vindo do público pelas caixas de reamplificação.

Os músicos, no entanto, recebiam, inevitavelmente, a reflexão do som de suas vozes e dos instrumentos, via caixas de reamplificação, paredes, chão e teto do auditório. Esta reflexão, às vezes de alto nível sonoro e sempre com atraso em relação ao som original, “embaralhava o som” ouvido pelo músico, a ponto de um não escutar com inteligibilidade a voz do outro.

A solução foi a colaboração de pequenas caixas de retorno, ou “monitores” de voz, no chão do palco, à frente dos músicos e por trás dos microfones unidirecionais (figura 3).

Passando a ouvir bem as vozes, mas somando-se a elas o som do retorno, o de sua própria voz, o da bateria e os dos amplificadores de palco, um músico deixou de ouvir, com clareza, o som do amplificador do outro, principalmente quando tais músicos estivessem situados em extremos opostos do palco, devido às características de “short throw” e à impossibilidade de se exagerar o nível de volume desses amplificadores, como já anteriormente se disse.

Foi assim que veio à idéia reamplificarem-se os próprios instrumentos musicais, via monitores, para os músicos em conjunto – usando-se amplificadores e caixas de maior potência. Todos, músicos e público, passaram a ouvir tudo muito bem, fossem quais fossem as dimensões do palco e do auditório, tratando-se, agora, de dois ambientes completamente separados do ponto de vista do controle do som.

Para tanto, foi necessária a construção de mesa ou mesas de som que possibilitassem a mistura e o envio do programa, de maneira adequada, aos ambientes platéia e palco; tornou-se imprescindível o emprego de técnicos para o controle de som, aparelhagem cara e sofisticada e de organização a nível empresarial do conjunto devido à multiplicidade de pequenos novos problemas surgidos.

Nota-se que o uso de amplificadores individuais aparentemente ficou desnecessário, já que todo o som está presente nos monitores. A maioria dos músicos tem, entretanto, seu próprio amplificador, com o qual estuda, convive, ao qual dirige suas emanações espirituais e dele recebe uma resposta sutilmente personalizada; dificilmente o músico abandonará o uso desse amplificador.

Dá-se, também, o fato de que esses amplificadores, geralmente valvulados, com transformadores de saída muito simples e alto-falantes múltiplos, possuem um timbre, uma coloração e uma distorção muito especiais e característicos, bem como prolongam ou sustentam os “envelopes” sonoros, o que absolutamente não deve acontecer com o sistema de som dos monitores e o da reamplificação para o público.

Essa coloração, cuja pesquisa foi nosso objetivo por longo tempo, é difícil, mas possível de obter com pequenos modificadores transistorizados, distorcedores e afins, que permitem a quem realmente deseja livrar-se dos problemáticos amplificadores a válvula, fazê-lo sem medo, como aconteceu com vários grupos musicais sob nossa orientação (Grupo 17, etc.). Seja como for, correndo os palcos da maioria dos grandes e avançados grupos musicais, o leitor lá encontrará os tão amados Fender Twin Amp, Gibson, Tremendões, Palmers e outros representantes do “estato gasoso” a retribuir calorosamente as vibrações dos seus músicos e senhores.

Com o desenvolvimento dos diferentes aspectos dos problemas até este momento resumidos e das soluções práticas e verdadeiramente funcionais para os mesmos, serão fornecidos circuitos de excelentes amplificadores valvulados para instrumentos musicais, propositadamente longe do que se possa chamar de alta fidelidade.

Serão, também, apresentados amplificadores e pré-amplificadores transistorizados de altíssima fidelidade. Nossa opinião particular é que as unidades modificadoras de som devem ter o menor tamanho físico possível e serem localizadas em sistemas de pedais colocados em “suportes pedaleiras”, sendo que o sinal elétrico deverá estar pronto daí em diante para ser reproduzido em alta fidelidade por um sistema capaz de atender ao conjunto todo dos músicos e do público.

Em alguns casos – e quando a “grana” der – deverão ser usados amplificadores valvulados pequenos, como modificadores e geradores de timbre característico, por exemplo, o Twim Amp ou equivalente de fabricação nacional.

Outra possibilidade para os amplificadores valvulados de instrumentos musicais é o uso em pequenos grupos de amadores ou profissionais que não desejem ou não possam se expandir para ambientes grandes, com público realmente numeroso, desistindo, então, do uso de pedais e modificadores de som com resultados previsíveis, já que estes terão um “som” diferente em cada amplificador convencional valvulado que for utilizado.

Quanto ao amplificador valvulado de alta fidelidade, não é quase utilizado, a não ser alguns modelos ingleses Hiwatt e outros similares americanos, devido a poderem ser obtidos resultados muito semelhantes com amplificadores transistorizados por preço, custo de transporte e de manutenção muito inferiores (figura 4).

A gravação de “shows ao vivo”, nos grandes grupos, é feita em tomadas de linhas de microfones e instrumentos, diretamente na mesa de som de palco para a mesa de gravação e, também, separadamente, via microfones independentes, pertencentes ao sistema de gravação. Nestes últimos é utilizada, com sucesso, a técnica de microfones coincidentes da BBC (The Technique of the Sound Studio – Alec Nisbett – The Focal Press – England).

 

A gravação deve ser feita em multicanais, os quais são posteriormente misturados (mixagem), em outros estúdios, nos quais são feitas ou não a correção de partes do programa, adicionados efeitos especiais, etc.

Resta, ainda, dizer que, como possibilidade futura, temos o uso de várias mesas de som, uma para cada músico, com seu(s) técnico(s) auxiliar(es), além da mesa de som para o público e a de gravação, aliadas à monitoração total e independente para cada músico. Isto permitiria a disposição relativa de músicos e público, como ilustra a figura 5 e até a movimentação no espaço, do ambiente completo ou plataforma de cada músico. Tal coisa, que saibamos, ainda não foi executada, aqui ficando a ideia…

Os equipamentos que daqui por diante passaremos a descrever, dando os mais minuciosos detalhes para as suas montagens, empregam componentes e materiais acessórios encontráveis com facilidade no comércio especializado da Capital de São Paulo. Você deverá analisar, antes de decidir-se por sua montagem, se servirá ou não para o seu uso; jamais deverá introduzir modificações, a não ser que tenha bons conhecimentos para fazê-lo; as especificações dos diversos equipamentos, uma vez confeccionados com os materiais e, seguidas as instruções, serão idênticas às dos protótipos exaustivamente provados sob as mais diversas condições. As modificações que pretender introduzir devem ser bem estudadas e experimentadas pelo próprio idealizador das mesmas, o mesmo valendo para outras adaptações que não as por nós indicadas.

Sintetizadores, Pedaleiras e Modificadores

Começaremos a série de artigos focalizando um setor importante do sistema geral de som dos conjuntos musicais. É o “som de palco”. No palco é que estão localizados os grandes segredos, os modificadores de som, os pedais, os distorcedores, “wahwahs”, “phasers”, “flangers”, as câmaras de eco, os reverberadores, os sintetizadores, os instrumentos musicais eletrônicos e eletrificados, os microfones, os amplificadores para instrumentos musicais e toda a “tranqueira” que os músicos dos conjuntos muitas vezes carregam com eles mesmos e cujos circuitos fabricantes guardam a “sete chaves” em pastas assinaladas com “Top Secret”.

Especificamente, dos mais secretos e “bolados” circuitos, escolhemos os pedais e modificadores de som; mais tarde virá o resto.

Possuímos um sistema próprio de interligação dos pedais e outros modificadores que culmina, passando pela já mais conhecida e utilizada “pedaleira”, num verdadeiro e inédito sintetizador para instrumentos musicais e vozes.

O sistema completo é bastante recente e estará em breve sendo apresentado nos “shows” e discos do conjunto OS MUTANTES por nosso irmão Sérgio. Dele consta os mais diversos pedais, alguns antigos, mas até hoje não superados, há muito usados em pedaleiras pelo conjunto OS MUTANTES, até outros novíssimos, como dobradores (BONS) de frequências e “ring modulators”, que Sérgio apenas experimentou em nosso laboratório, na Serra da Cantareira.

Você poderá montar, isoladamente, qualquer um dos circuitos que achar interessante ou lhe convier para seu próprio sistema de som, ou poderá acoplá-lo, em um sistema modular, até formar um sintetizador para instrumentos musicais ou vozes. A este sistema podem ser acoplados quaisquer pedais existentes no mercado.

Os principais circuitos que nos permitirão chegar ao sintetizador, não necessariamente nesta ordem, serão:

Módulo de Entrada

O grande segredo do sintetizador sem teclado.

Susteiner

O melhor circuito de susteiner existente, sem distorção, usando OpAmp servirá como compressor também para mesas de som (limitador ou compressor infinito).

Distorcedores

Uns 9 ou mais tipos diferentes para você obter (mesmo) desde o macio “som do yes” e “overloading” dos amplificadores valvulados até os “fuzzes” mais sujos possíveis; haverá, também, distorcedores especiais sêxtuplos a serem usados um em cada corda de guitarra ou contrabaixo para eliminar o “embrulhamento” dos acordes e obter sons contínuos e muito ricos em harmônicos (captadores especiais sêxtuplos a serem usados um em cada corda, apenas neste modelo, sendo os demais distorcedores para trabalharem com qualquer guitarra).

Contour Generators (CG)

Indispensável nos sintetizadores não produz qualquer som, mas servem para controlar o tempo de ataque, “sustain” e “decay” (envelope) dos VCO, VCF, etc., que você usará, permitindo que efeitos hoje em dia realizados por manipulação de potenciômetros de volume nas guitarras ou em pedais de volumes e ”wahwahs” sejam estendidos a “step beyond” (or several…).

Osciladores de Controle

Depois explicaremos.

Geradores de Ruído

Para efeitos de chuva, tempestade, silvos, etc.

VCF/VCO

Explicaremos a seguir.

Dobrador de Freqüências

Nosso circuito: principalmente nas notas aguadas, dá a oitava acima limpa e nítida.

Ring Modulator

Nosso circuito; para aparelho bastante usado pelo Mahavishnu (John) nas gravações mais recentes.

Phaser

Você já conhece; as novidades, explicaremos mais tarde.

Flanger

Um super Phaser, para efeitos tão bons quanto os originalmente conseguidos em estúdios, com gravadores sincronizados.

Delayers e Reverberadores Eletrônicos

Fica para o momento oportuno.

Noise Source

Gerador de ruído.

Modulation Mix

Não produz som, mas combina os sinais de Noise Source e do Oscilador para controlar VCF.

Balanceador

Permite combinar os sons sintetizados com os sons normais (não confundir com o balanceador de canais usados nos sistemas de som estereofônico).

Funk Machine

Será futuramente detalhado.

Fonte de Alimentação

Fonte estabilizada regulável, múltipla, que permitirá alimentar os diversos módulos do sintetizador e também os pedais modificadores que você já possua, eliminando as caras e problemáticas baterias.

Alphatron

Controle de sintetizador utilizando ondas alfa; várias pessoas em conjunto com apenas um sintetizador; resultados de experiências e idéias originais.

Conclusão da 1ª Parte

Ainda bem mais para frente temos programada a publicação de um teclado e osciladores com os quais você possa montar, junto com os módulos anteriores, um sintetizador de teclado com mais possibilidades que o conhecido Mini-Moog e com a mesma qualidade e confiabilidade.

Nota da EDITELE (antiga editora da Nova Eletrônica)

Cláudio César Dias Baptista, e mais um de seus famosos projetos.
Um luthier e técnico de sonorização e de eletrônica de alta categoria, um engenheiro de som autodidata e escritor perfeito, além de apresentar inúmeras outras habilidades. O protótipo do “Da Vinci” tupiniquim.
Poderá parecer-lhe estranha uma abertura como a deste artigo – autopromoção de seu autor. No decorrer do texto, com a forma de apresentação dos diversos circuitos e os resultados que o leitor obterá, esperamos que acredite isso seja tão necessário como nós pensamos.
O autor iniciou-se em Eletrônica ao contrário da maioria; jamais frequentou, regularmente, um curso especializado. Nasceu em família de músicos: pai, cantor; mãe, concertista de piano; irmãos, os atuais componentes do famoso conjunto OS MUTANTES.
Seu interesse prático pela Eletrônica deu-se com a construção caseira e artesanal de guitarras elétricas – seus instrumentos chegaram a ter grande valor entre os músicos, assim como os amplificadores, os modificadores de som, os sistemas P.A. ou de reamplificação, os estúdios de som, os sistemas residenciais de alto desempenho, os sintetizadores, os “theremins”, as caixas acústicas, as cornetas e toda uma infindável aparelhagem com a qual se envolveu e produziu desde que enveredou pelo maravilhoso mundo do som.
Começou, portanto, da pratica em direção à teoria. Hoje possui uma imensa e invejável bibliografia formada por livros, revistas e anotações de suas próprias pesquisas.
Cursou a Escola de Administração de Empresas de São Paulo – Fundação Getúlio Vargas, tendo, então, se conscientizado da necessidade de “fechar um circuito de realimentação” entre a prática e a teoria para que assim uma desse sentido e reajuste à outra.
Torna-se útil esta apresentação para que o leitor se ambiente ao estilo dos artigos do autor, mais parecidos com contos ou romances literários, do que com a habitual maneira fria de expor todas as teorias e princípios de funcionamento. Mas a matéria, temos absoluta certeza, irá satisfazê-lo com a mesma intensidade com eletriza cada experiência, cada montagem que ele realiza, no momento que anota, no emaranhado dos cálculos e circuitos iniciais, em letras, como um grito de vitória: “DEU CERTO!… FUNCIONA!…
Esperamos alcançar o objetivo de propiciar-lhe o mesmo sentimento que tomou o autor quando pela primeira vez assistiu à demonstração do som estereofônico, em casa de um amigo de seu pai, cujo nome jamais esqueceu e em homenagem ao qual dedica seu trabalho: Armando Sales.
Se esta série de artigos produzirem ao leitor o mesmo que produziu no autor, um maior relacionamento com o Universo, por meio do Som, nos sentiremos plenamente recompensados.
O leitor que esperar a fria empáfia das publicações técnicas convencionais corre dois riscos. O primeiro de “chatear-se” extremamente com certo desperdício de palavras e de divagações anticientíficas. O segundo, ao desistir da montagem pelo primeiro motivo, deixar de realizar, por um pequeno custo, um aparelho de grande confiabilidade.
O aclamado som d’OS MUTANTES aí está para garantir a eficácia, eficiência e viabilidade dos circuitos e dos projetos que serão descritos. Tais circuitos foram exaustivamente provados na prática, em uso profissional, o que lhes confere elevada margem de confiabilidade, normalmente impossível de ser atingida por empresas comerciais devido às exigências de produção em série.
O nível de qualidade obtido dos sistemas que serão publicados estará no mesmo plano dos melhores existentes no Exterior e no Brasil.
As soluções teóricas nem sempre serão as ideais, podendo surgir simplificações, melhor utilização dos aparelhos e circuitos propostos.
O que, na realidade, nos propomos a fazer com esta série de artigos é um trabalho sério, passando do simples amadorismo para um verdadeiro profissionalismo.
Uma constante troca de correspondência entre o autor, empresas norte-americanas e inglesas, como James Bulloughs, Altec, Cerwin-Vega, Gauss, Electro-Voice, Shure Brothers, R.T.R., etc., a incansável assistência teórica e material de empresas nacionais, como Filcres, Novik e outras, bem como a assistência da pesquisa pura sonora efetuada pelos OS MUTANTES, por Arnaldo Baptista, pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado, tudo se somando ao seu trabalho de pesquisa – para o qual muito tem contribuído sua esposa, Ana Maria – o qual vem sendo realizado desde 1963, possibilitarão a apresentação de equipamentos funcionais, confiáveis e, em muitos casos, como um original sintetizador para guitarra e vozes, absolutamente inéditos, jamais havendo publicação semelhante no Brasil nem no exterior.
Os artigos conterão, sempre que necessária, uma visão geral, comentários, filosofia “da coisa”, história da evolução do equipamento, em seguida ao que virão os circuitos, materiais, “lay-outs” e demais informações detalhadas para que o leitor possa ter subsídios para a elaboração de excelentes conjuntos que, montados seguindo todas as instruções e usando os materiais indicados, funcionarão perfeitamente e atenderão suas necessidades.
Será, pois, o “prato” espiritual da balança, perfeitamente equilibrada pelo “prato” material.
O autor reconhece que os diferentes leitores dispõem de maior ou menor tempo, encarando mais subjetiva ou objetivamente a matéria exposta. Para tentar atender a todos, sugere-se aos que tenham pouco tempo a perder ou que prefiram um enfoque puramente objetivo, lerem apenas as partes mais importantes que serão destacadas. No entanto, achamos que uma rápida leitura de tudo poderá esclarecer melhor e evitará certas dúvidas.
Para melhor esclarecer e caracterizar quem escreverá esta série de artigos específicos cumpre-nos dizer que o autor, especificamente em áudio, é especializado em:
  • Instrumentos musicais eletrônicos e eletrificados
  • Sintetizadores e outros
  • Amplificadores para instrumentos musicais
  • Modificadores de som para instrumentos musicais
  • Reamplificação de conjuntos musicais e orquestras
  • P.A. Systems
  • Caixas acústicas para instrumentos musicais
  • Caixas acústicas para reamplificação
  • Cornetas e alto-falantes
  • Mesas de controle para P.A.
  • Mesas de controle para estúdios de gravação e laboratórios de som
  • Sistemas completos para estúdios de som profissionais e amadores
  • Sistemas de som residenciais
  • A música em si
  • Conjuntos musicais, organização empresarial de grandes grupos
  • Outras

Somos os pioneiros neste tipo de publicação específica. Na realidade, sobre tais assuntos, muito já se escreveu, mas jamais assuntos específicos, bem práticos, exaustiva e profissionalmente provados e aprovados.

Eng. Roberto Teixeira
Author: Eng. Roberto Teixeira

Engenheiro de produção, técnico em automação industrial, instrutor técnico, auditor de QHSE, web designer, pesquisador, tradutor técnico, escritor e autor de blogs.

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